sexta-feira, 2 de abril de 2010

Geografia: Uma Tentativa de Definição

A Geografia, ciência nascida ainda na Antiguidade, tem conhecido, ao longo do tempo, inúmeras definições. Para alguns, ela teria por objetivo estudar a superfície terrestre. A objeção que fazemos a este conceito é a de que inúmeras disciplinas também têm a mesma meta, já que a Terra é o cenário onde ocorrem atividades humanas. Portanto, esta primeira definição tem o defeito de não configurar com precisão o objeto da Geografia. Outros teóricos acreditam que sua ciência tem por finalidade o estudo da paisagem. Há também geógrafos que afirmam que ela tem como propósito o estudo da individualidade dos lugares. Assim, caberia ao cientista estudar todos os fenômenos existentes numa determinada região, para entender as diversas porções do planeta. Modernamente, a Geografia é definida como o estudo das relações entre o espaço e as sociedades. Daí a necessidade, hoje experimentada pelo geógrafo, de recorrer tanto à Geologia, Oceanografia, Meteorologia, Ecologia, como também às Ciências Sociais, tais como a Economia, Sociologia, História e Política.

AS ORIGENS DA GEOGRAFIA

A Geografia como ciência se consolidou no século XIX, quando foi sistematizada e ganhou uma metodologia. Isto ocorreu nesse momento, pois somente então foram satisfeitas as condições para a plena existência dos estudos geográficos. Em primeiro lugar, era necessário que o homem europeu—já que foi no Velho Continente que a Geografia adquiriu uma base científica tivesse a noção da verdadeira extensão do planeta. Além disso, era também fundamental que a Terra fosse, pelo menos, quase toda conhecida.
Afinal, a Geografia só operaria como ciência se fossem levantados dados sobre as diversas regiões do Globo. Todas estas condições puderam ser preenchidas pelo desenvolvimento do capitalismo que, visando globalizar a acumulação de capital, navegou pelo mundo quando da expansão ultramarina dos Tempos Modernos, construiu impérios nas áreas extra-européias e explorou, econômica e cientificamente, quase todas as porções da Terra.
A Geografia chegou à maturidade científica na Alemanha. Esta nação apresentava uma série de especificidades: em primeiro lugar, não existia como país pois estava dividida em principados, ducados, condados e cidades livres todos titulares de soberania. Durante séculos, esta estrutura feudal foi mantida pelo Sacro-Império Romano Germânico, uma realidade política nominal, pois seu Imperador não passava de uma figura simbólica. Por esta razão, as relações capitalistas de produção foram implantadas na Alemanha tardiamente, subsistindo, por longo tempo, o modo de produção servil. Por conseguinte, a burguesia alemã era frágil e totalmente atrelada ao Estado, o grande agente político nacional. A Alemanha, assim, não conheceu a implantação de ideais e valores liberais, o que possibilitou os seus sucessivos governos autoritários. Desconhecendo uma revolução de cunho democrático burguês — ao contrário do que ocorrera na França em 1789 —, a Alemanha não foi marcada, na ocasião, pela luta de classes, tornando imperiosa a unificação nacional, daí a preocupação com espaço geográfico.
Embora, do ponto de vista metodológico, a Geografia tenha sido sistematizada por Alexandre von Humboldt e Karl Ritter, o mais influente geógrafo germânico do século XIX foi Friedrich Ratzel. Nascido na Prússia, cuja sociedade fora militarizada pelo Estado, Ratzel foi o principal legitimador teórico do projeto de unificação da Alemanha sob a tutela da belicosa aristocracia agrária “junker” que então controlava politicamente Berlim. Por muitos apelidado de o “pensador do imperialismo”, o geógrafo, em todas as suas obras, buscou justificar o expansionismo germânico. Tal propósito é explicito num dos seus mais conhecidos conceitos: “semelhante à luta pela vida, cuja finalidade básica é obter espaço, as lutas dos povos são quase sempre pelo mesmo objetivo. Na história moderna, a recompensa da vitória foi sempre um proveito territorial”.
Em 1882, seu livro “Antropogeografia — fundamentos da aplicação da Geografia à História” lança as bases da Geografia Humana. Na obra, Ratzel define o objetivo da Geografia como o estudo das influências e condicionamentos das condições naturais sobre os comportamentos humanos. No seu entender, o espaço determina a psicologia dos indivíduos e a estrutura das sociedades. Haveria um vínculo interativo entre o homem e a natureza, de onde ele tira os bens necessários à sobrevivência. Assim, o espaço físico seria o fator fundamental para a manutenção física do ser humano e da possibilidade de sua liberdade. A decorrência política de tal afirmação é a de que o estado tem como finalidade básica a conquista e a preservação de territórios. Para Ratzel, quando “a sociedade se organiza para proteger seu território, tem início o Estado”. O “determinismo” geográfico do pensador prussiano lançou as raízes do conceito de “Lebensraum” (“espaço vital”), que, no século XX serviria como legitimação do expansionismo nazista.
Ainda no século XIX, a França foi o berço de uma outra conceituação de Geografia: a de Vidal de La Blache, que criticou a politização da Geografia por parte de Ratzel e defendeu a noção de que, em função da liberdade humana, não havia uma determinação “mecânica” do espaço sobre a sociedade. Mais do que um ser totalmente modelado pelas condições geográficas, o homem alteraria o seu espaço. É Vidal de La Blache o formulador da teoria da “humanização” da paisagem. Além disso, o geógrafo francês defendia o contato entre as diversas regiões e culturas do Globo. Em sua opinião, a Europa era fruto de uma história dinâmica, daí seu desenvolvimento, enquanto a África e a Ásia eram sociedades estagnadas. Apologista da “corrida neocolonialista” do Imperialismo, ele pregava a “missão civilizadora do homem branco”. Dessa forma, sua defesa de uma ciência geográfica “despolitizada” e estritamente “objetiva” foi uma mentira. Ele criticou o expansionismo germânico na Europa, que abalaria a hegemonia francesa, e propõs a conquista de áreas neocoloniais, o que também é uma ação política.

18 comentários:

  1. adorei seu blog.Parabens colega professor

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  2. Aprendi muito com esse conteúdo ! gostaria de parabenliza-lo e dizer que me foi muito útil todo esse conhecimento! UM GRENDE ABRAÇO E ATÉ A PRÓXIMA ;*

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  3. parabéns, eu e todos alunos do 2º ano 02 estamos completamente gratos a sua ajuda, para todos vocês o nosso muito obrigado!

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  4. Muito interessante, so temos a aprender cada ves mais com sites assim, gostei muito e garanto que irei tirar uma otima nota como todas que sempre tiro !!!
    obrigado!!!!

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  5. adorei o blog.
    parabéns até a proxima.
    lindussssssssss

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  6. FILÉW DE BLOG.MASSA...

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  7. É um site muito explicativo onde o aluno pode entender com
    facilidade o conteudo

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  8. Adorei esse site, que mara,uiuiui,gostei e recomendo!!!

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  9. parabéns, eu como professora nilva terezinha toniella acho muito gratificante com o poder dos nossos alunos, estarem bem informados nas aulas de informática, dando enfase e satisfazendo a todos com este conteudo. Obrigado pela ajuda!

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    1. É neh o site deve ser bom mesmo o povo faz até propaganda de professor.
      Eu acho que não tem necessidade de por seu nomo querida

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  10. corrigindo! "toniello" :D

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  11. VAMO AGITA ESSE BLOGUEEEEEEEEEEEE

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  12. Nossa parabéns, gostei bastante tem uma linguagem simples é um texto de facil entendimento

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  13. Parabéns, você conseguiu brilhantemente fazer uma síntese da obra de Moraes. Texto fluído e muito didático. Perfeito!

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